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Archive for the ‘Mulher Agrião’ Category

mulher agriao link estadao

Reportagem escrita por Lucas Pretti (blog do caderno Link, Estado de S. Paulo)

 

mulher agriao b-coolt

Nota escrita por Paloma Sa no B-Coolt ed. 88

 

Vídeo feito por Ivo Duran no segundo dia de caça ao tesouro na Av. Paulista

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Queridas e queridos, a grande CAÇA AO TESOURO do ano começará dia 6 de julho, próxima segunda-feira.

As pistas: endereços completos e fotos de onde o tesouro está escondido (fácil, não?)

Os esconderijos: praças, livrarias, banheiros públicos, jardins, orelhões e tudo o que é propriedade alheia na Avenida Paulista (que a polícia não me incomode)

O prêmio: 50 exemplares numerados e feitos à mão do livro Pequena biografia da mulher ordinária que desejava ser um agrião, escrito esse ano pela Mulher Agrião e publicado aqui e no blog www.mulheragriao.wordpress.com.

A edição impressa da Pequena biografia é uma realização da editora espanhola La Encasa (www.laencasaeditora.wordpress.com).

Os 50 livros serão distribuídos no período da manhã entre os dias 6 e 9 de julho em pontos aleatórios da Avenida Paulista. Os endereços + fotos dos lugares serão divulgados no início da tarde de cada dia no blog http://www.mulheragriao.wordpress.com, no link ONDE ENCONTRAR.

Essas atualizações serão avisadas também via Twitter. Sigam-me se quiserem (http://twitter.com/sabrinaduran)

Na tarde do dia 11, sábado, um varal com os livros e algumas folhas de agrião fresco será instalado em algum ponto estratégico da cidade (a indicação do local será revelada na manhã do dia 11, no blog). Quem estiver passando pelo local premiado e quiser um livro de cabeceira + um pregador de roupas numerado + um adendo para a salada do dia, aproveite.

Também no dia 11, outros 50 exemplares serão distribuídos entre algumas galerias da cidade. Os nomes e endereços das galerias estarão no blog no início da tarde do próprio sábado.

E PARA AQUELES QUE AINDA NÃO SABEM NADA SOBRE A MULHER AGRIÃO, NUNCA LERAM SEUS TEXTOS E NEM CONHECEM SEU ROSTO, O BLOG http://mulheragriao.wordpress.com/ TRAZ A PEQUENA BIOGRAFIA NA ÍNTEGRA (COM LINK PARA O LIVRO EM PDF), ALÉM DE FOTOS PERSONALÍSSIMAS DA MULHER AGRIÃO EM POSES JAMAIS VISTAS.

Até o dia da caça!

Sabrina

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forca

Achei que adivinhava. A palavra da vez no programa de tv tinha sete letras, apenas duas eram vogais. S era a primeira, a terceira, N, a quarta, G, a quinta era R, depois A, e R de novo. S_NGRAR. Sangrar! Sangrar!, eu gritei ao telefone. A buzina tocou em reproche, vaias enlatadas, gongo, prêmio perdido. Não era sangrar. Mareada com minha desatenção, Teodora saiu da sala com as velas recolhidas, um barco à deriva cuja salvação está na mesma vogal que a mim faltou.

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venho por meio desta

Ai, como me mortificou a miséria daquela mulher que assinava “um tipinho retraído” nos classificados da revista Grande Hotel, de 1952. Ela gemia assim: nunca amei, anseio por ser amada, sou tipo mignon, morena clara, cabelos compridos levemente ondulados, 21 anos, 1,55 m, trabalhadeira, pobre, simples e sincera; almejo corresponder-me com rapaz de altura e idade superiores às minhas, que seja livre e de coração honesto, sincero, trabalhador e com boas intenções. Assinado: Um tipinho retraído (Cachoeira do Sul). Verdade que até engrandeci lendo aquilo, porque a miséria alheia tem essa delícia vil de nos amplificar diante de quem está de joelhos ou prostrado – mas isso ninguém biografa. Retratei-me indo até 1952, à casa da mulher do anúncio. Perpetrei um milagre para fazê-la feliz: dei-me bigodes, 1,75 de altura, colete vinho e, em vez de uma caixa de bombons finos escondida às costas, levei na lapela um coração cheio de misericórdia e um bocado de lascívia – não se salva mulher só com bondade. Disse-lhe que era o rapaz implícito na carta, que também era de Cachoeira do Sul e que, além de tudo, tinha bons rendimentos, uns aplicados e outros na carteira. Ela atirou-se aos meus pés feito aos de um Cristo prestes a ascender. Aderiu ao meu corpo com as unhas em gancho e eu ao dela, enroscando-a com um insuportável amor à sua pobreza de cortinas de chita e às suas nádegas intactas. Entendemo-nos. Ela já não podia mais dizer que nunca fora amada. Suspendi-a do chão, ajudei-a a vestir a anágua e a camisola de flanela, beijei-lhe a testa e saí, transfigurada de misericórdia, pronta a soprar esperança no coração de todas as mocinhas retraídas de 1952.

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Mortalidade é defeito pétreo e me dá pudor, pois é certo que, morta, serei despida, vista com lupa, terei as tripas e reentrâncias remexidas (e também meus cadernos), perscrutarão minhas gavetas, meus segredos embaixo da cama e os testemunhos das pessoas que falarão de mim no meu velório. Por contraposição de dados, descobrirão quem fui e eu não estarei lá pra me defender. E se estiver, feito uma geléia translúcida como se vê nos filmes, vou tapar os ouvidos pra não sofrer a vergonha alheia pelo que está sendo dito daquela coisa desanimada ali estendida. Minha pudicícia maior é que em suas escavações particulares, meus amigos descubram que não fui uma, mas tantas, e que menti sobre meus nomes. A morte me dá pudor, mas não chego aos cúmulos. Sei de gente (mulher, claro) que sai de casa preparada pra morrer na rua: depilada, calcinha boa, batom e banho tomado. O que me cumula na morte é seu poder de me tornar relapsa. Basta a metafísica apertar além da conta e me embaralhar a vida pr´eu me sentar na poltrona e não querer sair de lá nunca mais. Puta merda, eu penso, e me sento em seguida, com antolhos de burro numa têmpora e outra. Porque, se tudo acaba ali no fim da rua, qual a necessidade de retomar a marcha? Mas esse é um pensamento grosseiro – um pensar vagabundo, de gente com antolhos. Porque é evidente que nada acaba ali no fim da rua. E não falo da alma que vira geléia translúcida e continua vagando por aí depois da morte, peladinha e flutante. Falo do amor dos vivos que reverbera mesmo quando não estamos, desse amor comezinho de quem, por exemplo, liga dizendo que vai ao mercado e pergunta se não precisamos de alho em casa ou alguma coisinha assim. Nesse telefonema ordinário o alho é pretexto, e a pergunta nele inscrita é: você vive? Como defraudar alguém cujo cuidado amoroso é oferecido ao preço simbólico de uma cabecinha de alho? Abandono a poltrona uma vez e outra. É o amor dos vivos, e não a certeza do esquife encalacrado no solo, o que me força a marcha e me enraiza na Terra.

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déjà vu

Havia um perfume, perfeições coladas com durex na parede, cabelos, coxas e fotos do futuro, mulheres árabes de rosto velado, meia-noite, asfalto, silêncios e solitários frevos. Mariposas de carne faziam a ronda em torno de um frasco amarelo cravado no meio da sala. No rótulo, capitulares gritavam: pega, é amor em potência. Mas, de repente, eu não tinha mãos, tinha uma só pata de cavalo. Acordei, e o frasco ficou preso no sonho.

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abundâncias

Em Sevilha, na Espanha, está abolido o sibilar dos ésses e dos cês e o vibrar dos zês porque lá os dentes e a língua abundam na boca das pessoas. Sevilhano diz Zapatos, dieCiocho, ceniCienta e come biscoito de aCeite y aZúcar com uma suculenta línguaentredentes. É um povo que submete a própria carne ao fio traiçoeiro dos incisivos centrais pra dizer amenidades. Não serão todos vermelhos de vontade e bravura por dentro? Em São Paulo, descobri e visitei uma cartomante sevilhana só pr´ela me descortinar o futuro em espanhol. Hija mía, mientras estés como los perros que buscan en la basura qué comer – tu buscas qué vivir –, saca provecho pa´ que tu corazón crezca en humanidad, pues sólo cuando el hombre toca lo que no hay de hombre en si mismo es que puede ser más hombre que los demás, pues mira al prójimo a los ojos buscando en ellos, como en dos luceros, la claridad de su humanidad perdida. Hay que engrandecer el corazón, hija mia, hay que engrandecer el corazón!, ela me disse, com perdigotos flamejantes – co-ra-zón entredentes – chamuscando minhas pupilas.

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